segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Falhas no ensino médio dificultam acesso de jovens ao ensino superior

                                                                                                                    Marcelo Brandt
           PNE inclui meta para ampliar o número de alunos em  universidades.

                                                                                                                              
A educação superior no Brasil tem três metas no novo Plano Nacional de Educação (PNE – PL8035/10): elevar a taxa de matrícula em universidades, aumentar o número de mestres e doutores formados no Brasil, e melhorar a qualidade da formação oferecida.

Atualmente, 76% da educação superior está no setor privado, que concentra 88% das vagas disponíveis (cerca de 2,8 milhões de vagas), segundo dados do Censo da Educação Superior, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em 2009.  

A meta para a próxima década é passar de 17% para 33% de matrícula no ensino superior entre jovens de 18 a 24 anos. Essa seria a média dos países da América Latina que têm um ensino superior mais acessível, como México, Chile e Argentina.

Essa previsão, no entanto, esbarra na baixa cobertura do ensino médio no Brasil. Estudos de Simon Schwartzman, um dos maiores especialistas em educação superior no País, mostram que, se todos os jovens dessa faixa etária se formassem no ensino médio, seriam 3 milhões aptos a entrar nas faculdades.

Schwartzman afirma que a maior estimativa, com metade desses jovens mais 1/3 dos que estão acima dessa faixa etária, significaria um universo de 8 milhões de matriculados ao mesmo tempo, por 4 anos, no ensino superior. Essa é a taxa máxima que o Brasil pode esperar, segundo ele.

Sobra de vagas

A ociosidade de vagas no ensino superior privado é alta, chegando a 49,5% no último censo. A tendência nesse ambiente é que pequenas faculdades não resistam e haja concentração. Hoje, 15 grupos educacionais detêm 30% do mercado nacional.

O professor Luiz Dourado, da Universidade Federal de Goiás, ressalta que, mesmo com sobra de vagas, ainda há um contingente de brasileiros que não é capaz de pagar ou de se sustentar no ensino superior. “Precisamos entender o que queremos com programas que financiam o ensino privado, porque os alunos de baixa renda continuam sem acesso à universidade”, diz.

Três programas hoje buscam financiar a expansão de vagas no ensino superior: o de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies).

O Reuni é voltado ao setor público e tem como meta aumentar a taxa de conclusão de curso para 90% dos matriculados, e a relação professor por aluno de 1/12 para 1/18. Em seis anos, de 2003 a 2009, o programa dobrou as vagas em universidades federais, que passaram de 113 mil para 227 mil.

Já o ProUni oferece bolsas a alunos de baixa renda matriculados em instituições privadas. São 464 mil bolsistas em formação, segundo dados da Secretaria de Educação Superior.

Os alunos de faculdades particulares contam ainda com o Fies, um financiamento facilitado que pode ser pago a juros baixos após a conclusão do curso. Hoje, estima-se que cerca de 660 mil estudantes de instituições privadas tenham algum tipo de auxílio financeiro, em um universo de 3,6 milhões matriculados.

Taxa de evasão

Graças ao ProUni e ao Fies, foram abertas mais de 1 milhão de vagas no setor privado até 2007. No entanto, segundo dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior em São Paulo (Semesp), a taxa de evasão dos dois programas está em 20%, concentrada nas classes C e D. Como causas da evasão, o sindicato aponta o despreparo do aluno que sai de um ensino médio deficiente e problemas econômicos.

Para o diretor jurídico do Semesp, José Roberto Covac, o novo PNE deve levar em conta uma parceria com o setor privado, que não pode ficar de fora das discussões. Ele cita a discussão da reforma universitária (PL 7200/06 e outros), em que o ministério elaborou uma lei sem a participação do setor. “Existe um preconceito em relação à instituição privada que precisa ser revisto.”

Para o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), João Luiz Martins, os papéis são complementares. Apesar dos professores lutarem por uma universidade gratuita, não veem problema no ensino privado, desde que ele tenha qualidade.

Íntegra da proposta:
PL-8035/2010
Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli


Fonte:  Agencia Câmara de Noticias

O mercado jurídico brasileiro

Editorial O Estado de São Paulo


Em recente reunião com os dirigentes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a presidente eleita da American Bar Association (a Ordem dos Advogados dos EUA), Laurel Bellows, propôs que as duas entidades criem uma comissão para discutir a abertura do mercado brasileiro de serviços legais. Ela também manifestou preocupação com os processos que tramitam nos tribunais de ética e disciplina da OAB, questionando parcerias entre escritórios brasileiros e estrangeiros.

Pela legislação em vigor, advogados estrangeiros só podem atuar no Brasil como consultores em matérias relacionadas ao direito de seus países de origem. Além de terem de se cadastrar na OAB, eles não podem comandar ou influenciar a gestão dos escritórios nacionais nem compartilhar instalações. Segundo o jornal Valor, 80 dos 100 maiores escritórios de advocacia do mundo já atuam no País no mercado de consultoria em direito estrangeiro, que movimenta US$ 15 bilhões por ano.

Este ano, a OAB suspendeu por quatro meses o exercício profissional de dois advogados paulistas, acusados de se associar irregularmente a um escritório americano. Foi a primeira vez que a entidade tomou uma decisão tão dura. Ela entendeu que o escritório dos dois advogados servia de fachada para uma banca de Miami.

O interesse dos escritórios estrangeiros em atuar no Brasil decorre do alto número de fusões de empresas brasileiras, dos investimentos do governo em gás e extração de petróleo na camada pré-sal e da chegada de empreiteiras multinacionais com o objetivo de participar das licitações para as obras de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Grandes escritórios brasileiros têm interesse em aprofundar parcerias - e até em se fundirem - com grandes firmas mundiais do setor. Algumas áreas da advocacia empresarial são tão rentáveis que, na Inglaterra, entrará em vigor em 2012 uma lei que permite o controle das firmas de advocacia por empresários do setor de serviços e até por fundos de investimento. Pela nova lei, a advocacia passa a ser um negócio como qualquer outro.

No Brasil, a atuação das bancas estrangeiras é regulamentada pelo Provimento 91 da OAB, que é uma "autarquia especial". Baixado em 2001 com o objetivo de preservar a "soberania da advocacia brasileira", o Provimento 91 considera nulos os atos praticados por advogados não inscritos na entidade. É essa legislação que a presidente da American Bar Association quer revogar, sob a alegação de que a globalização unificou os mercados de bens e serviços e aprofundou o caráter transnacional dos negócios. "Na medida em que o mundo se torna mais plano, precisamos construir relações entre advogados não só em torno dos direitos individuais, mas também em questões econômicas", diz Bellows.

Há algumas semanas, autoridades inglesas da área de comércio exterior anunciaram que proporão ao governo brasileiro a abertura do mercado jurídico nacional. Representando 102 entidades de advogados das três Américas, a Federação Interamericana de Advogados promoveu recentemente uma reunião para que elas discutissem a questão.

Procurando garantir a reserva de mercado para seus filiados, a OAB sempre foi contra essa medida, lembrando que os Estados Unidos e a União Europeia também criaram barreiras para o ingresso de advogados estrangeiros.

Por seu lado, as empresas estrangeiras alegam que os advogados brasileiros não estão preparados para atender às suas demandas, especialmente nos casos de contratos que envolvem questões muito específicas, do ponto de vista técnico e econômico. Os defensores da reserva de mercado reconhecem as limitações do ensino jurídico, mas alegam que parte dos advogados brasileiros tem capacitação técnica, conhecimento linguístico superior aos dos colegas estrangeiros e "compromisso deontológico adequado aos interesses nacionais".

Por envolver grandes interesses econômicos e políticos, essa discussão provavelmente acabará sendo deslocada para organismos multilaterais responsáveis pela regulação do comércio mundial.

Fonte: O Estado de São Paulo, 31.10.2011
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Os EUA querem abertura de mercado jurídico brasileiro

Por Maíra Magro | De Brasília
Valor Econômico - 24/10/2011

Os Estados Unidos estão dispostos a abrir seu mercado para os advogados brasileiros, desde que haja reciprocidade. Foi essa a mensagem deixada pela advogada Laurel Bellows durante sua visita ao Brasil. Presidente eleita da American Bar Association (ABA), entidade americana equivalente à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela defendeu maior liberdade de atuação aos profissionais estrangeiros no país. Em encontro com o presidente da Ordem, Ophir Cavalcante, pediu a criação de uma comissão de advogados para discutir o assunto. Ela também manifestou preocupação com os cerca de 20 processos nos tribunais de ética e disciplina da OAB para questionar parcerias entre bancas brasileiras e estrangeiras. "Nos Estados Unidos, estamos no processo de rever nossas regras para abrir novas oportunidades, mas somente se houver reciprocidade", disse.

À frente de uma pequena banca em Chicago, Laurel atua há 30 anos no contencioso empresarial e assessora executivos na negociação de contratos de trabalho. Ela será a quinta mulher a ocupar a presidência da ABA, a partir de agosto de 2012. A advogada veio ao Brasil para o encontro da Federação Interamericana de Advogados (FIA), em Brasília, que discutiu a abertura dos mercados jurídicos nas Américas.

Valor: O que foi tratado no encontro com o presidente da OAB, Ophir Cavalcante?
Laurel Bellows : Entre outras coisas, propus a criação de uma comissão para discutir a atuação dos advogados estrangeiros no Brasil. Na medida em que o mundo se torna mais plano, precisamos entender as leis de todos os países, precisamos construir relações entre os advogados, não somente em torno dos direitos individuais, mas também em questões econômicas. O Brasil é certamente um daqueles países muito importantes para nós.
"Uma das ideias seria permitir que o advogado estrangeiro defenda seus clientes nas Cortes americanas"

Valor: O que motivou a proposta?
Laurel : A OAB governa a ética que regula os advogados aqui. E há processos (nos tribunais de ética e disciplina da Ordem) contra cerca de 20 escritórios estrangeiros, afirmando que eles estão atuando de forma não autorizada. Essas bancas (acusadas de se associarem de forma irregular a escritórios brasileiros) rejeitam esse argumento, e apontam que a Constituição as autoriza a praticar o direito em parceria com advogados ou escritórios brasileiros. A ABA não pode intervir nisso, mas temos uma opinião sobre a importância da abertura das fronteiras para a prática da advocacia, porque essa é a forma em que sistemas econômicos saudáveis crescem.

Valor: Como seria formada essa comissão?
Laurel : Propusemos ao Dr. Ophir uma forma de continuar a discussão, fora do litígio, desses casos que já começaram e geraram muita indignação. De um lado, teríamos alguns advogados dos Estados Unidos ou de outros países que gostariam de atuar aqui. Devemos pensar como poderiam fazer isso. Haveria certamente representantes nomeados pela OAB, e com a participação da ABA. Mais que uma conversa entre escritórios, trata-se de uma discussão mais ampla de comércio.

Valor: A diplomacia dos dois países está engajada nessa discussão?
Laurel : O Departamento de Estado dos Estados Unidos está ciente do problema. Já tivemos discussões principalmente sobre o caso da Índia, que fechou seu mercado para advogados do mundo inteiro, numa forma muito estreita de lidar com uma economia tão grande.

Valor: Que tipo de abertura vocês defendem?
Laurel : A OAB, a ABA e outras entidades de advogados do mundo entendem, claro, que estaríamos atuando segundo as leis do país de origem. Na maior parte das vezes, os advogados dos Estados Unidos estariam atuando somente segundo as leis americanas. A questão é se podem formar parcerias com advogados brasileiros. Por que não? Eles vêm ao Brasil para representar um cliente que quer que eles estejam aqui de forma permanente. Pode ser uma grande empresa de petróleo ou de computação.

Valor: A OAB está prestes a decidir se mantém ou não as regras atuais.
Laurel : A ABA não tem competência para dizer nada à OAB, somos colegas e iguais, mas como essa é uma conversa tão difícil, e temos o luxo de começá-la num nível tão bom, seria maravilhoso se talvez eles pudessem postergar essa decisão. A partir do momento em que você toma uma decisão, está mandando uma mensagem internacional que seria infeliz. Seria uma mensagem aos advogados dos Estados Unidos de que o Brasil está fechando suas portas para sua atuação. E nós, advogados americanos, enquanto revemos nossas próprias regras éticas, questionaremos a possibilidade de abrir as portas aos advogados do Brasil.

Valor: O que está em revisão?
Laurel : Nos Estados Unidos, estamos no processo de rever nossas regras para abrir novas oportunidades, mas somente se houver reciprocidade. Atualmente, você precisa ser consultor em direito estrangeiro e pode estabelecer parcerias. Uma das ideias seria permitir que o advogado estrangeiro defenda seus clientes nas Cortes americanas, desde que com a presença de um advogado americano ao seu lado. Outra é que nossos clientes nos Estados Unidos tenham a oportunidade de contratar advogados brasileiros, que poderiam trabalhar dentro do escritório da empresa, sem a necessidade de tirar uma licença de atuação, que hoje é necessária.

Valor: Quando a ABA pretende tomar uma decisão?
Laurel : A situação com o Brasil está postergando o processo. Não tomaremos essa decisão até que o Brasil decida se está ou não disposto a se engajar em alguma forma de reciprocidade.
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Disponivel em <http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/24/eua-querem-abertura-de-mercado-juridico-brasileiro> Acesso 31.Out. 2011.

sábado, 29 de outubro de 2011

Atingidos por Belo Monte ocupam canteiro de obras

Por Agencia Pulsar Brasil

Mais de 600 indígenas, pescadores, ribeirinhos e populações ameaçadas pelos impactos empreendimento participam do protesto. A ocupação do canteiro de obras da Usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará, foi iniciada na madrugada de ontem (27).

                                          (Foto: Ivan Canabrava)

A Rodovia Transamazônica (BR-230), a partir de trecho em frente ao canteiro, está interditada e só passam veículos transportando doentes.

O acampamento é permanente. A principal reivindicação do movimento é que o governo federal envie autoridades para negociar com as populações tradicionais o fim das obras de Belo Monte.

Todo o processo de ocupação ocorreu de forma pacífica, sendo fruto dos debates entre os povos tradicionais durante o seminário “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.

Com o encontro, se pretendia analisar a conjuntura em torno de Belo Monte e discutir respostas às situações de risco e impactos geradas pela usina. A programação foi suspensa em vista da ação de ocupar o canteiro de obras da hidrelétrica.

A ocupação ocorreu logo depois que o governo brasileiro não compareceu à audiência pública em Washington, nos Estados Unidos, junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O governo federal foi questionado pelo órgão sobre o desrespeito às medidas cautelares, emitidas pela CIDH em abril deste ano. A Comissão julgou que a continuidade das obras de Belo Monte traz um risco muito grande para as populações indígenas da região.

Na semana passada, a relatora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) votou a favor do decreto que considera ilegal a instalação da Usina de Belo Monte, mas o julgamento foi adiado com o pedido de vista. (pulsar/brasildefato)


lc
28/10/2011

Fonte:  http://www.brasil.agenciapulsar.org/tapa.php

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Métodos de estudos, metodologia cientifica.

Por  Aluizio Moreira

RUIZ, João Álvaro. Metodologia cientifica: guia para eficiência nos estudos. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006.

Diferentemente das inúmeras obras que tratam da Metodologia Cientifica, a de João Álvaro Ruiz se apresenta estruturada em duas partes: uma parte prática (Memento Pedagógico) e uma parte teórica (Natureza do Conhecimento e do Método Cientifico).

A Primeira Parte, composta pelos 3 primeiros capítulos, apresenta uma orientação ao estudante que inicia seus estudos em Curso Superior. A partir da consideração de que o comportamento do estudante universitário diferencia-se dos estudos fundamental e médio, aborda os métodos que devem ser observados em relação ao aproveitamento do tempo reservado individualmente para os estudos, preparação de aulas, revisões das matérias para as avaliações.

Em seguida apresenta forma de desenvolver uma leitura eficiente, desde a seleção do objeto de estudo à velocidade e propósito da leitura, identificação da idéia principal, a prática correta do sublinhamento sem esquecer a preparação de resumos e esquemas como partes da documentação pessoal.

Encerra a Primeira Parte, com considerações acerca da elaboração dos trabalhos de pesquisa, salientando sua importância nos cursos de graduação, além de apresentar alguns tipos de Pesquisa científica como de campo, laboratorial e bibliográfica.

A Parte Teórica, inicia-se com abordagens sobre o conhecer, enfocando os quatro tipos de conhecimento mais comumente considerados pela maioria das obras sobre Metodologia Cientifica: vulgar (popular, senso comum), teológico (religioso), filosófico e cientifico. No entanto ao invés de apresentar esses tipos de conhecimento separadamente, como é usualmente feito, Ruiz trata cada um deles comparando-os com o conhecimento cientifico. Diríamos que o conhecimento cientifico seria o referencial para os demais tipos de conhecimento.

Nos capítulos subseqüentes discute a questão da Verdade e Certeza, sob os mais variados aspectos; da Ciência, desde suas características ao desenvolvimento do espírito cientifico; dos Métodos de fazer Ciência, salientando os métodos dedutivo e indutivo.

O último capítulo é dedicado à apresentação das Referências Bibliográficas, de acordo com a NBR 6023:2002 da ABNT ainda em vigor.

domingo, 23 de outubro de 2011

Trabalhos Acadêmicos e Atividades Complementares

Por Aluizio Moreira


Nossa prática na disciplina Métodos e Técnicas de Pesquisa e /ou Metodologia da Pesquisa, tanto em curso de graduação como em cursos de pós-graduação, nos tem revelado quase que total desconhecimento ou equívocos, por parte dos alunos de um e outro nível, a respeito de Trabalho Acadêmico, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e Atividades Complementares.

Comecemos pela norma que rege o Trabalho Acadêmico (NBR 14724:2005), elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e revisada em maio deste ano, substituída pela NBR 14724:2011. Segundo a citada NBR, na sua apresentação, a ABNT esclarece que
Esta Norma especifica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros), visando sua apresentação à instituição (banca, comissão examinadora de professores, especialistas designados e/ou outros). 
Esta Norma aplica-se, no que couber, aos trabalhos acadêmicos e similares, intra e extraclasse.
Mais adiante, o mesmo documento ao tratar dos “Termos e Definições”, refere-se mais especificamente:

1 – à dissertação, que visa a obtenção do titulo de mestre (item 3.10);
2 – à tese, que visa a obtenção do titulo de doutor (item 3.33);
3 – ao trabalho de conclusão de curso de graduação (TCC), trabalho de graduação interdisciplinar, trabalho de conclusão de curso de especialização e/ou aperfeiçoamento (item 3.35).

O que é bom esclarecer, é que, independentemente das normas constantes da NBR 14724:2011 acima referida, e que disciplinam dissertação, tese e tcc, existe uma característica comum a esses três tipos de trabalhos acadêmicos: todos são trabalhos monográficos, evidentemente com tratamentos diferenciados.

Mas o assunto não se esgota aí.

Algumas obras que tratam de Trabalhos Acadêmicos, não os restringem apenas aos três tipos tratados pela NBR 14724:2011. Ou ampliam a denominação incluindo outros tipos de trabalhos comumente produzidos nas Instituições de Ensino Superior (Resenha, Artigo, Relatório, Paper, Ensaio, Tratado, Livro, Capítulo de livro, Projeto de Pesquisa), ou, neste caso, devido à variedade de produções acadêmicas, optam pela denominação Trabalhos Científicos.

Mereceram da parte da ABNT tratamento específico, os seguintes tipos de Trabalhos Acadêmicos (ou Científicos):

Artigos científicos – NBR 6022:2003;
Livros e Folhetos – NBR 6029:2006;
Relatórios Científicos – NBR 10719:1989;
Projeto de Pesquisa – NBR 15287:2011

Qual a relação ou relações existentes entre Trabalhos Acadêmicos (ou Científicos) e  Atividades Complementares?

As chamadas Atividades Complementares, são modalidades de atividades instituídas pelas unidades de Ensino Superior, para integralização curricular dos cursos de graduação em bacharelado (Parecer CNE/CES Nº 184/2006), dos cursos de graduação em Licenciatura (Resolução CNE/CP Nº 2/2002) e do Curso de Licenciatura em Pedagogia (Resolução  CNE/CP Nº 1, de 15 de maio de 2006), que deverá corresponder, respectivamente, até 20% da carga horária total do curso, 200 horas para as atividades acadêmicas cientifico/culturais e 100 horas para as atividades teórico-práticas.

Cabe a cada Instituição de Ensino Superior, através de seus Núcleos de Atividades Complementares, definir e informar aos seus alunos  as modalidades oferecidas para cada Curso, com indicação da carga horária correspondente a cada modalidade. As modalidades poderão ser desenvolvidas pelos estudantes, no âmbito de IES ou fora dela, a critério do Setor responsável pelas Atividades Complementares. 

É  necessário, antes de tudo, que  o aluno tome conhecimento das modalidades oferecidas pela Instituição a que pertence, pois algumas delas são objeto de tratamento das várias disciplinas constantes da grade curricular, ou de realizações programadas pela própria Instituição, como eventos acadêmicos e culturais, participação em grupos de estudos orientados por docentes, programa de monitoria, curso ou atividade de extensão, participação em Congressos, participação em Conferências, publicação de artigos científicos, elaboração de resenhas etc.

Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Informação e Documentação – Artigo em publicação periódica cientifica  impressa – Apresentação. NBR 6022. Mai. 2003.
____ . Informação e Documentação – Livros e Folhetos – Apresentação. NBR 6029. Abr. 2006.
____.Informação e Documentação – Apresentação de Relatórios Técnico-Científicos. NBR 10719. Ago. 1989.
____.Informação e Documentação – Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. NBR 14724. Abr. 2011.
____.Informação e Documentação – Projeto de Pesquisa – Apresentação. NBR 15287. Abr. 2011.
ECO, Umberto. Como se faz uma tese. Tradução Gilson Cesar Cardoso de Souza, São Paulo: Perspectiva, 1989.
FERRAREZI JUNIOR, Celso. Guia do trabalho científico: do projeto à redação final. São Paulo: Contexto, 2011.
JACOBINI, Maria Letícia de Paiva. Metodologia do trabalho acadêmico. 3.ed.São Paulo: Alínea, 2006. 
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 12. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. 
SEIDEL, Roberto H. Manual teórico e prático para elaboração de trabalhos acadêmicos. Recife: Nossa Livraria, 2004.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 20. ed. São Paulo: Cortez, 1998.  

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CNPq: Diretrizes sobre fraudes em publicações cientificas

Tendo em vista a falta de normas que tratem das ocorrências de fraudes em publicações cientificas, entre outras, fabricação ou invenção de dados, manipulação fraudulenta de resultados obtidos que altere resultados de pesquisa, plágio, autoplágio, o CNPq estabeleceu “Diretrizes éticas para publicação de Pesquisa”, cujo documento reproduzimos abaixo (Aluizio Moreira):

Ética e Integridade na Prática Científica

Instada a manifestar-se sobre denuncia de fraude em publicações científicas envolvendo pesquisadores apoiados pelo CNPq, e diante da inexistência de normas internas específicas e instrumentos estabelecidos para o tratamento adequado de ocorrências desta natureza, a Diretoria Executiva decidiu criar, através da portaria PO-085 de 5 de maio de 2011, uma Comissão Especial constituída por cientistas brasileiros de grande experiência e liderança, com a missão de propor recomendações e diretrizes sobre o tema da Ética e Integridade na Prática Científica.

É, portanto, com muita satisfação que a Diretoria Executiva recebeu recentemente o relatório final da Comissão Especial, o qual recomenda que o CNPq adote duas linhas de ação referentes ao tema: 1) ações preventivas e educativas e 2) ações de desestímulo a más condutas, inclusive de natureza punitiva. Destacam-se no documento as excelentes propostas de produção de publicações e materiais educativos em língua portuguesa, sobre os diferentes tipos de fraude ou má prática na pesquisa e em publicações científicas. A estes materiais deverá ser dada ampla divulgação entre cientistas, orientadores acadêmicos e estudantes, inclusive na forma de disciplinas sobre o tema oferecidas nos cursos de pós-graduação e graduação. Recomenda-se ainda que o CNPq constitua uma Comissão Permanente de Integridade Científica, constituída por membros de alta respeitabilidade e originados das diferentes áreas do conhecimento, à qual caberá: 1) coordenar as ações preventivas e educativas sobre o tema; e 2) examinar situações em que surjam dúvidas fundamentadas quanto à integridade da pesquisa realizada ou publicada por pesquisadores apoiados pelo CNPq, podendo requerer o apoio de especialistas da área nomeados ad hoc para caso específico. Caberá também a essa comissão propor à Diretoria Executiva do CNPq os desdobramentos adequados. O relatório estabelece também algumas Diretrizes de caráter geral sobre o tema, orientadoras aos pesquisadores e estudantes e que devem pautar a futura Comissão Permanente nas suas ações subseqüentes.

O Relatório Final da Comissão será agora analisado pelas instâncias competentes para seguimento às tratativas pertinentes, mas com o intuito de fomentar as discussões e acolher sugestões sobre o tema, a Diretoria Executiva decidiu dar divulgação ao documento com as recomendações.

A Diretoria Executiva manifesta seu especial agradecimento especial à Comissão pelo excelente trabalho realizado.

Glaucius Oliva
Presidente – CNPq
Brasília, 07 de Outubro de 2011


Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa do CNPq

A comissão instituída pela portaria PO-085/2011 de 5 de maio de 2011, constituída pelos pesquisadores Alaor Silvério Chaves, Gilberto Cardoso Alves Velho, Jaílson Bittencourt de Andrade, Walter Colli e coordenada pelo Dr. Paulo Sérgio Lacerda Beirão, diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, vem apresentar seu relatório final.

Introdução

A necessidade de boas condutas na pesquisa científica e tecnológica tem sido motivo de preocupação crescente da comunidade internacional e no Brasil não é diferente. A má conduta não é fenômeno recente, haja vista os vários exemplos que a história nos dá de fraudes e falsificação de resultados. As publicações pressupõem a veracidade e idoneidade daquilo que os autores registram em seus artigos, uma vez que não há verificação a priori dessa veracidade. A Ciência tem mecanismos de correção, porque tudo o que é publicado é sujeito à verificação por outros, independentemente da autoridade de quem publicou.

Como ilustração, podemos citar alguns exemplos emblemáticos, como o chamado “Homem de Piltdown” - uma montagem de ossos humanos e de orangotango convenientemente manipulados, que alegadamente seria o “elo perdido” na evolução da humanidade. Embora adequada para as ideias então vigentes, a farsa foi desmascarada quando foi conferida com novos métodos de datação com carbono radioativo. Outros exemplos podem ainda ser citados, como o da criação de uma falsa linhagem de células-tronco embrionárias humanas que deu origem a duas importantes publicações na revista Science em 2004 e 2005. Por esse feito, o autor principal foi considerado o mais importante pesquisador de 2004. O que seria um feito extraordinário mostrou ser uma fraude e resultou na demissão desse pesquisador e na exclusão desses artigos da revista.

Essa autocorreção, no entanto, não é suficiente para impedir os efeitos danosos advindos da fraude, seja por atrasar o avanço do conhecimento ou mesmo por consequências econômicas e sociais resultantes do falso conhecimento. Um caso exemplar das consequências danosas que podem ser causadas por fraudes científicas foi a rejeição dos princípios da genética, por meio da manipulação de dados e informações com objetivos ideológicos e políticos, feita pelo então presidente da Academia Soviética de Ciências, Trofim Lysenko. Essa falsificação, mesmo sendo posteriormente contestada cientificamente, trouxe grande atraso na produção agrícola da então União Soviética, o que contribuiu sobremaneira para a deterioração econômica e sustentabilidade do regime soviético.

Esses casos mostram que resultados falsos ou errados podem atrasar acentuadamente o avanço do conhecimento, sem contar com o custo, financeiro e humano, envolvido na correção dos desvios. Mais difíceis de serem corrigidos são os problemas advindos de plágios, onde o verdadeiro autor, seja de descobertas ou de textos, pode ter seu mérito subtraído com possíveis prejuízos profissionais.

A falsificação de dados pode ser caracterizada quando as manipulações introduzidas alteram o significado dos resultados obtidos. Por exemplo, introduzir ou apagar imagens em figuras podem alterar a interpretação dos resultados. Algumas situações são consideradas legítimas, como, por exemplo, o emprego de software de aumento de contraste usado por astrônomos pode revelar objetos celestes dificilmente identificáveis de outra maneira. Alterações de contraste ou brilho para melhorar a qualidade global de uma imagem são consideradas legítimas se aplicadas a toda a imagem e descritas na publicação. Nesses casos a imagem original deve ser mantida, e publicada como informação suplementar quando possível.

Além das referidas consequências danosas da falsificação e do plágio, essas práticas podem favorecer indevidamente seus autores para conseguirem vantagens em suas carreiras e na obtenção de auxílios financeiros. Em relação a isso, surge também como significativa a prática crescente de autoplágio. Em um ambiente de competição para a obtenção de auxílios financeiros, isso pode significar o investimento em pessoas e projetos imerecidos, em detrimento daqueles que efetivamente são capazes de produzir avanços do conhecimento. A existência de software capaz de identificar trechos já publicados de manuscritos submetidos tem facilitado a prevenção de plágio e de autoplágio.

Por todas essas razões as más condutas na pesquisa são assunto de interesse das agências de financiamento, que devem zelar pela boa aplicação de seus recursos em pessoas que sejam capazes de produzir avanços efetivos (isto é, confiáveis) do conhecimento. Isso significa instituir mecanismos que permitam identificar e desestimular as práticas fraudulentas na pesquisa, e estimular a integridade na produção e publicação dos resultados de pesquisa.

Para lidar com esses problemas, a comissão recomenda que o CNPq tenha duas linhas de ação: 1) ações preventivas e pedagógicas e 2) ações de desestímulo a más condutas, inclusive de natureza punitiva.

Com relação às ações preventivas, é importante atuar pedagogicamente para orientar, principalmente os jovens, nas boas práticas. É também importante definir as práticas que não são consideradas aceitáveis pelo ponto de vista do CNPq. Como parte das ações preventivas, o CNPq deve estimular que disciplinas com conteúdo ético e de integridade de pesquisa sejam oferecidas nos cursos de pós-graduação e de graduação. Também a produção de material com esses conteúdos em língua portuguesa deve ser estimulada e disponibilizada nas páginas do CNPq. Como ponto de partida, algumas diretrizes orientadoras das boas práticas nas publicações científicas, inclusive nos seus aspectos metodológicos, devem ser imediatamente publicadas, podendo ser aperfeiçoadas com contribuições subsequentes. Há que se salientar nessa direção a importância dos orientadores acadêmicos.

Com relação às atitudes corretivas e punitivas, recomenda-se a instituição de uma comissão permanente pelo Conselho Deliberativo do CNPq, constituída de membros de alta respeitabilidade e originados de diferentes áreas do conhecimento. Deverá caber a esta comissão examinar situações em que surjam dúvidas fundamentadas quanto à integridade da pesquisa realizada ou publicada por pesquisadores do CNPq - detentores de bolsa de produtividade ou auxilio a pesquisa. Com relação a denúncias, é de se cuidar para não estimular denúncias falsas ou infundadas. Caberá a essa comissão examinar os fatos apresentados e decidir preliminarmente se há fundamentação que justifique uma investigação específica, a ser realizada por especialistas da área nomeados ad hoc. Caberá também a essa comissão, a partir dos pareceres dos especialistas, propor à Diretoria Executiva do CNPq os desdobramentos adequados. Será também incumbência dessa comissão avaliar a qualidade do material disponível sobre ética e integridade de pesquisa, a ser publicado nas páginas do CNPq.

Definições

Podem-se identificar as seguintes modalidades de fraude ou má conduta em publicações:

Fabricação ou invenção de dados - consiste na apresentação de dados ou resultados inverídicos.

Falsificação: consiste na manipulação fraudulenta de resultados obtidos de forma a alterar-lhes o significado, sua interpretação ou mesmo sua confiabilidade. Cabe também nessa definição a apresentação de resultados reais como se tivessem sido obtidos em condições diversas daquelas efetivamente utilizadas.

Plágio: consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Autoplágio: consiste na apresentação total ou parcial de textos já publicados pelo mesmo autor, sem as devidas referências aos trabalhos anteriores.

Diretrizes

1: O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho.

2: Toda citação in verbis de outro autor deve ser colocada entre aspas.

3: Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.

4: Quando em dúvida se um conceito ou fato é de conhecimento comum, não se deve deixar de fazer as citações adequadas.

5: Quando se submete um manuscrito para publicação contendo informações, conclusões ou dados que já foram disseminados de forma significativa (p.ex. apresentado em conferência, divulgado na internet), o autor deve indicar claramente aos editores e leitores a existência da divulgação prévia da informação.

6: se os resultados de um estudo único complexo podem ser apresentados como um todo coesivo, não é considerado ético que eles sejam fragmentados em manuscritos individuais.

7: Para evitar qualquer caracterização de autoplágio, o uso de textos e trabalhos anteriores do próprio autor deve ser assinalado, com as devidas referências e citações.

8: O autor deve assegurar-se da correção de cada citação e que cada citação na bibliografia corresponda a uma citação no texto do manuscrito. O autor deve dar crédito também aos autores que primeiro relataram a observação ou ideia que está sendo apresentada.

9: Quando estiver descrevendo o trabalho de outros, o autor não deve confiar em resumo secundário desse trabalho, o que pode levar a uma descrição falha do trabalho citado. Sempre que possível consultar a literatura original.

10: Se um autor tiver necessidade de citar uma fonte secundária (p.ex. uma revisão) para descrever o conteúdo de uma fonte primária (p. ex. um artigo empírico de um periódico), ele deve certificar-se da sua correção e sempre indicar a fonte original da informação que está sendo relatada.

11: A inclusão intencional de referências de relevância questionável com a finalidade de manipular fatores de impacto ou aumentar a probabilidade de aceitação do manuscrito é prática eticamente inaceitável.

12: Quando for necessário utilizar informações de outra fonte, o autor deve escrever de tal modo que fique claro aos leitores quais ideias são suas e quais são oriundas das fontes consultadas.

13: O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14: O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

15: Qualquer alteração dos resultados iniciais obtidos, como a eliminação de discrepâncias ou o uso de métodos estatísticos alternativos, deve ser claramente descrita junto com uma justificativa racional para o emprego de tais procedimentos.

16: A inclusão de autores no manuscrito deve ser discutida antes de começar a colaboração e deve se fundamentar em orientações já estabelecidas, tais como as do International Committee of Medical Journal Editors.

17: Somente as pessoas que emprestaram contribuição significativa ao trabalho merecem autoria em um manuscrito. Por contribuição significativa entende-se realização de experimentos, participação na elaboração do planejamento experimental, análise de resultados ou elaboração do corpo do manuscrito. Empréstimo de equipamentos, obtenção de financiamento ou supervisão geral, por si só não justificam a inclusão de novos autores, que devem ser objeto de agradecimento.

18: A colaboração entre docentes e estudantes deve seguir os mesmos critérios. Os supervisores devem cuidar para que não se incluam na autoria estudantes com pequena ou nenhuma contribuição nem excluir aqueles que efetivamente participaram do trabalho. Autoria fantasma em Ciência é eticamente inaceitável.

19: Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais.

20: Os autores devem ser capazes de descrever, quando solicitados, a sua contribuição pessoal ao trabalho.

21: Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos.

Referências

Roig, M. (2006) Avoiding plagiarism, self-plagiarism, and other questionable writing practices: A guide to ethical writing. http:// facpub.stjohns.edu/~ roig m/plagiarism/
Angell, M. and A.S. Relman (1989). Redundant publication. New England Journal of Medicine, 320, 1212-14.
Kassirer, J. P. & Angell, M. (1995). Redundant publication: A reminder. The New England Journal of Medicine, 333, 449-450. Retrieved, March 7, 2003
from http://content.nejm.org/cgi/content/full/333/7/449 .
International Committee of Medical Journal Editors. http://www.icmje.org/ethical_1author.html
European Science Foundation (2010) Fostering Research Integrity in Europe 

(Disponível em: <http://www.cnpq.br/saladeimprensa/noticias/2011/1017b.htm>; acesso em: 21.10.11)

sábado, 15 de outubro de 2011

O Brasil vai parar para marchar em Brasília

  
A Marcha Nacional “10 mil pelos 10% do PIB para a Educação”, que será realizada em Brasília, no dia 26 de outubro, tem o objetivo de pressionar o Congresso Nacional para que, em vez de 7% do PIB, como está no PNE, 10% sejam destinados para a educação.

Neste dia, os participantes se concentrarão em frente ao ginásio Mané Garrincha (que está em reforma para sediar a Copa do Mundo de 2014) e marcharão até o Congresso Nacional, onde acontecerá um grande evento. A CNTE pretende, também no dia 26 de outubro, entregar aos parlamentares cem mil cartões com as assinaturas coletadas em todo o país pedindo os 10% do PIB para a educação. 

No gramado em frente ao Congresso Nacional estarão expostos desenhos feitos por estudantes de escolas públicas sobre o Piso e Carreira que começaram a ser coletados após a aula cidadã, no dia 16 de setembro. “A intenção é coletarmos o maior número de desenhos possível sobre o tema Piso e Carreira para que possamos estendê-los em um varal que será colocado em frente ao Congresso Nacional no dia da Marcha”, explicou o presidente da CNTE, Roberto Leão.

Em Brasília, todos os estudantes poderão acompanhar a Marcha. Os outros estados escolherão o autor do melhor trabalho inscrito, que terá a oportunidade de participar da Marcha Nacional. (CNTE, 22/09/11)

 FONTE: CNTE - www.cnte.org.br

Ser professor: reconhecimento por um dia

O vídeo abaixo foi realizado em março de 2007, no entanto a mensagem não perdeu sua atualidade. Por mais que os poderes constituídos, diretores de instituições de ensino, elogiem e considerem o professor personagem importante e indispensável para o desenvolvimento do país, continuamos amargando péssimos salários, ritmos exaustivos de trabalho, ausência de incentivo à pesquisa e falta de condições objetivas para a instituição da carreira do magistério, que muitos confundem com as titulações, que apenas diferenciam os salários/aula. (Aluizio Moreira).

Dia do (a) professor (a) com muita luta pela frente

Neste sábado, 15, em todo o Brasil, é comemorado o Dia do (a) Professor (a), uma   classe trabalhadora que tem muito para conquistar.

Falta de professores (as), financiamento insuficiente, escolas sem infraestrutura e o não cumprimento da Lei do Piso Salarial na maioria dos estados e municípios têm deixado a categoria desestimulada. Em levantamento feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), nenhum estado cumpre a lei do piso integralmente “Na maioria dos estados e municípios que dizem cumprir pagar o piso, a norma não é seguida como deveria, pois não estruturaram uma carreira para seus profissionais", afirma o presidente da CNTE, Roberto Leão.

Um equívoco do Ministério da Educação (MEC), que define que o valor do Piso para 2011 é de R$1.187,97, facilita para que alguns governadores e prefeitos não paguem o valor correto do Piso. Para a CNTE, em 2011, o vencimento inicial de carreira de um (a) professor (a) com nível médio deve ser de R$1.597,87, levando-se em consideração o que é garantido na Lei do Piso. A Lei atribui que o Piso deve ter reajustes anuais, utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei no 11.494, de 20 de junho de 2007.

Além do Piso, uma questão relevante para promover maior valorização no ensino público brasileiro é o financiamento da educação. A CNTE luta para que no Plano Nacional de Educação (PNE), dos próximos 10 anos, sejam repassados o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, e não 7% como está especificado no Projeto de Lei em discussão no Congresso Nacional.

Com o objetivo de chamar a atenção para esta questão, a CNTE realiza em Brasília, no dia 26 de outubro, a 5ª Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública de Qualidade, que este ano tem como tema  “10 mil pelos 10% do PIB”. Neste dia, as 43 entidades filiadas à Confederação se reunirão pela manhã em frente ao estádio Mané Garrincha e marcharão até o Congresso Nacional. A CNTE pretende entregar ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e ao relator do PNE, Ângelo Vanhoni, cem mil assinaturas pedindo a destinação de 10% do PIB para a educação pública brasileira. Não é muito e todos sabem disso, principalmente em se tratando de educação, que é essencial para a construção de um país justo e preparado para o futuro. (CNTE, 14/10/11)


FONTE: CNTE - www.cnte.org.br

Situação de professores no Brasil é preocupante, afirma consultor da Unesco

da Agência Brasil


Problemas na formação continuada dos professores e até mesmo na formação inicial, além da baixa remuneração, compõem um cenário "preocupante", de acordo com o consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha.

Ao comentar o estudo "Professores do Brasil: Impasses e Desafios", lançado pela Unesco na semana passada, Cunha lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás apenas dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%). A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil (4%).

O especialista destaca, entretanto, que é preciso "elevar o status" do professor no Brasil. A própria Unesco, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de "uma verdadeira revolução" nas estruturas institucionais e de formação. Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado "de impacto", segundo Cunha, trata dos salários pagos à categoria --50% dos docentes recebem menos de R$ 720 por mês.

O estudo alerta para um grande "descompasso" entre a formação teórica e a prática do ensino. Para Cunha, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de "aliança" entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula.

Como recomendações, a Unesco defende a real implementação do novo piso salarial e a política de formação docente, lançada recentemente. Cunha acredita que esses podem ser "pontos de partida" para uma "ampla recuperação" da profissão no Brasil.

"Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual", disse, ao ressaltar que sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. "Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada."
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FONTE: http://www.ueg.br

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mulheres reféns do crack

Adital - [PUC-RS Informação] Acompanhar o processo de desintoxicação de usuárias de crack e identificar os fatores de vulnerabilidade a que essas mulheres foram expostas, durante a infância e a adolescência, associados à fissura. Com esse objetivo o professor Rodrigo Grassi de Oliveira, coordenador do curso de Psicologia da PUCRS, comanda a pesquisa Estudo de coorte sobre fatores de vulnerabilidade associados ao craving em dependentes de crack: impacto da negligência na infância na cognição, comportamento e resposta neuroendócrina. O projeto desenvolvido no Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse (Nepte) da Faculdade, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) investiga fatores de risco para uso do crack ao observar o comportamento de 260 pacientes internadas na Unidade Psiquiátrica São Rafael, do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. O perfil encontrado é de mulheres entre 18 e 50 anos, usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) e de diferentes classes sociais.

O monitoramento das pacientes é de 21 dias, período médio da internação para desintoxicação. A pesquisa começou em março de 2011 e conta com 60 mulheres avaliadas. Até o momento, foi identificada uma diminuição do risco de suicídio, uma redução importante da depressão e estabilização dos sintomas de craving, a chamada fissura, um dos mais graves e intensos em usuários de crack. "A previsão é de resultados inovadores, de potencial importante, já que existem poucas pesquisas com abordagem interdisciplinar na investigação do processo de desintoxicação do crack", prevê Grassi.

O destaque dos resultados parciais é a relação com histórias de maus tratos na infância, em especial de negligência, e a dificuldade para reduzir os sintomas de fissura. "Essas mulheres levam o dobro do tempo das demais para superar essa fase. A hipótese é de que o estresse torna vulnerável o cérebro da criança e faz com que seu sistema de recompensa seja impactado, em virtude de alterações no desenvolvimento das estruturas cerebrais relacionadas, o que mais tarde cria uma dificuldade de controlar demandas de dependência química", explica.

Segundo o professor, das 60 mulheres investigadas, mais de 75% sofreram maus-tratos na infância. "Isso é importante porque o maior problema do crack é a recaída. Algumas delas estão internadas novamente e um dos fatores que contribuiu é a sensação de fissura", complementa. Há também uma hipótese neurobiológica relacionada com o efeito que o estresse precoce provoca no desenvolvimento do sistema de recompensa no cérebro. Os dados serão apresentados somente ao final do estudo, previsto para o segundo semestre de 2012. "O estresse precoce da criança contribui para o contato com as drogas. Essas pessoas se tornam mais suscetíveis a buscar alternativas de transgressão, como o uso de substâncias psicoativas. Quanto mais cedo a pessoa for exposta à droga, mais difícil será não se viciar e mais difícil será a desintoxicação", revela Rodrigo Grassi.

Segundo o psiquiatra, a média de idade para o início do uso de drogas nessa amostra é de 12 anos para substâncias como maconha e cocaína. O uso de álcool e cigarro começa mais cedo, por volta dos nove ou dez anos. "O estudo pretende mostrar a importância da prevenção primária. Políticas públicas de bem-estar infantil, reforço no Conselho Tutelar e intervenção familiar podem evitar esses problemas. Queremos quantificar a importância de uma infância adequada e evidenciar o dano que pode levar à intervenção", garante o pesquisador.

Os quatro pilares da pesquisa

Entre as várias perguntas que o projeto da Faculdade de Psicologia busca responder, a principal é do ponto de vista psicobiológico: o que acontece com pacientes durante a desintoxicação? Para encontrar as respostas, o projeto avalia aspectos biológicos, clínicos, cognitivos e comportamentais relacionados ao craving (fissura). Os resultados atuais foram obtidos com a avaliação de vulnerabilidade, na parte comportamental, onde está a principal relação com o estresse.

No âmbito cognitivo, verificam-se as funções executivas como julgamento e tomada de decisão. São realizados testes de memória e de atenção, como o experimento chamado Iowa Gambling Task, que consiste em um jogo de cartas para simular decisões da vida real em um paradigma de lucro e perda. Na área clínica são avaliados sintomas de depressão, ansiedade, fissura, gravidade da dependência química, transtornos psiquiátricos e comportamentos autolesivos.

Os estudos biológicos utilizam o fio de cabelo para identificar o grau de exposição ao hormônio do estresse nos últimos meses em uma parceria com o Laboratório de Toxicologia. Para cada centímetro de cabelo é possível determinar um mês. Por meio de amostras de sangue, em parceria com o Laboratório de Imunologia do Estresse, são analisados os marcadores inflamatórios, neurotróficos (responsáveis pelo crescimento de neurônios) e hormonais.

A pesquisa é desenvolvida por uma equipe multidisciplinar, em parceria com grupos de pesquisa do Nepte, do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFRGS e da equipe de Ação Social do Hospital Mãe de Deus. A coleta de dados conta com oito pesquisadores, sendo três do Hospital Mãe de Deus e cinco da PUCRS. No laboratório da Universidade, quatro profissionais trabalham na extração do material biológico e dois no gerenciamento de dados. Estão envolvidos profissionais de Psicologia, Psiquiatria, Enfermagem, Terapia Ocupacional e Educação Física.

Reabilitação pelo exercício físico

As Faculdades de Psicologia e de Educação Física e Ciências do Desporto da PUCRS (Fefid) pretendem implementar, em 2012, um projeto para intervenção na reabilitação cognitiva por meio da atividade física. Durante o segundo semestre de 2011, haverá uma seleção de alunos da iniciação científica e dois professores da Fefid serão capacitados no Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trauma e Estresse (Nepte), vinculado à Faculdade de Psicologia, para trabalhar com trauma.

A proposta é desenvolver um programa de exercícios aeróbicos e de força com pessoas expostas a trauma na infância. Há uma série de evidências na literatura médica que mostra a redução de sintomas de fissura, de depressão e de ansiedade, além do aumento do período de abstinência por meio de exercícios físicos em dependentes de cocaína. "O exercício pode ser uma alternativa importante", esclarece o professor Rodrigo Grassi.

Revista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul publicada pela Assessoria de Comunicação da PUCRS, Informação Edição nº 156, setembro/outubro de 2011.
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FONTE:   http://www.diarioliberdade.org/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Comunicado oficial do Ocupar Wall Street

Por Aluizio Moreira


Prezados leitores, tinhamos postado a matéria "EUA: um Império ameaçado" quando recebemos a informação de um documento oficial do Movimento Ocupar Wall Street através da Revista Forum. Esta é a primeira vez que o Movimento se pronuncia oficialmente, após uma Assembleia realizada no dia 02.10.2011 em Nova York. Quanto ao "conteúdo anticapitalista" expresso na apresentação do documento, ratificamos a posição que assumimos  na matéria acima referida, deixando a critério dos leitores suas deduções. A seguir o referido comunicado:


Primeiro Comunicado Oficial do Ocupar Wall Street


Os manifestantes de Nova York votam, em Assembleia Geral, um documento de claro conteúdo anticapitalista. 

Por Assembleia Geral de Nova York [02.10.2011 11h21]

Tradução de Idelber Avelar

Este comunicado foi votado unanimemente pelos membros do Ocupar Wall Street, por volta das 20:00 do dia 29 de setembro. É nosso primeiro documento oficial. Temos outros três em preparação, que provavelmente serão lançados nos próximos dias: 1) uma declaração de demandas do movimento; 2) princípios de solidariedade; 3) documentação sobre como formar o seu próprio Grupo de Ocupação de Democracia Direta. Este é um documento vivo. Você pode receber uma cópia oficial da última versão pelo e-mail c2anycga@gmail.com.

Ao nos reunirmos em solidariedade para expressar um sentimento de injustiça massiva, não devemos perder de vista aquilo que nos reuniu. Escrevemos para que todas as pessoas que se sentem atingidas pelas forças corporativas do mundo saibam que somos suas aliadas.

Unidos como povo, reconhecemos a realidade: que o futuro da raça humana exige a cooperação de seus membros; que nosso sistema deve proteger nossos direitos e que, ante a corrupção desse sistema, resta aos indivíduos a proteção de seus próprios direitos e daquElas de seus vizinhos; que um governo democrático deriva seu justo poder do povo, mas as corporações não pedem permissão para extrair riqueza do povo e da Terra; e que nenhuma democracia real é atingível quando o processo é determinado pelo poder econômico. Nós nos aproximamos de vocês num momento em que as corporações, que colocam o lucro antes das pessoas, o interesse próprio antes da justiça, e a opressão antes da igualdade, controlam nosso governo. Nós nos reunimos aqui, pacificamente, em asssembleia, como é de direito nosso, para tornar esses fatos públicos.

Elas tomaram nossas casas através de um processo de liquidação ilegal, apesar de que não eram donos da hipoteca original.

Elas receberam impunemente socorro financeiro tirado dos contribuintes, e continuam dando bônus exorbitantes a seus executivos.

Elas perpetuaram a desigualdade e a discriminação no local de trabalho, baseados em idade, cor da pele, sexo, identidade de gênero e orientação sexual.

Elas envenenaram a oferta de comida pela negligência e destruíram a agricultura familiar através do monopólio.

Elas lucraram com a tortura, o confinamento e o tratamento cruel de incontáveis animais não-humanos, e deliberadamente escondem essas práticas.

Elas continuamente arrancaram dos empregados o direito de negociar melhores salários e condições de trabalho mais seguras.

Elas mantiveram os estudantes reféns com dezenas de milhares de dólares em dívidas pela educação, que é, em si mesma, um direito humano.

Elas consistentemente terceirizaram o trabalho e usaram essa terceirização como alavanca para cortar salários e assistência médica dos trabalhadores.

Elas influenciaram os tribunais para que tivessem os mesmos direitos que os seres humanos, sem qualquer das culpabilidades ou responsabilidades.

Elas gastaram milhões de dólares com equipes de advogados para encontrar formas de escapar de seus contratos de seguros de saúde.

Elas venderam nossa privacidade como se fosse mercadoria.

Elas usaram o exército e a polícia para impedir a liberdade de imprensa.

Elas deliberadamente se recusaram a recolher produtos danificados que ameaçavam as vidas das pessoas, tudo em nome do lucro.

Elas determinaram a política econômica, apesar dos fracassos catastróficos que essas políticas produziram e continuam a produzir.

Elas doaram enormes quantidades de dinheiro a políticos cuja obrigação era regulá-las.

Elas continuam a bloquear formas alternativas de energia para nos manter dependentes do petróleo.

Elas continuam a bloquear formas genéricas de remédios que poderiam salvar vidas das pessoas para proteger investimentos que já deram lucros substanciais.

Elas deliberadamente esconderam vazamentos de petróleo, acidentes, arquivos falsificados e ingredientes inativos, tudo na busca do lucro.

Elas deliberadamente mantiveram as pessoas malinformadas e medrosas através de seu controle da mídia.

Elas aceitaram contratos privados para assassinar prisioneiros mesmo quando confrontadas com dúvidas sérias acerca de sua culpa.

Elas perpetuaram o colonialismo dentro e fora do país.

Elas participaram da tortura e do assassinato de civis inocentes em outros países.

Elas continuam a criar armas de destruição em massa para receber contratos do governo.

Para os povos do mundo,

Nós, a Assembleia Geral de Nova York que ocupa Wall Street na Praça Liberdade, os convocamos a que façam valer o seu poder.

Exercitem o seu direito a assembleias pacíficas; ocupem os espaços públicos; criem um processo que lide com os problemas que enfrentamos; e gerem soluções acessíveis a todos.

A todas as comunidades que formem grupos e ajam no espírito da democracia direta, nós oferecemos apoio, documentação e todos os recursos que temos.

Juntem-se a nós e façam com que suas vozes sejam ouvidas.

Estas demandas não são exaustivas. 
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FONTE:http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9512/primeiro-comunicado-oficial-do-ocupar-wall-street

EUA: um Império ameaçado

Por Aluizio Moreira



Não há o que esconder. Nem que tratar os acontecimentos que vêm ocorrendo nos Estados Unidos  como movimento de radicais esquerdistas. Talvez até a imprensa e os políticos conservadores, queiram ver nessa mobilização verdadeiramente popular, a mão de terroristas insuflando a democrática população dos states.

O movimento de protesto que tem como pano de fundo a  crise financeira que se abateu sobre os Estados Unidos, e que acontece no distrito financeiro de Nova York, iniciou-se nos primeiros dias de setembro, com uma simples concentração de um pequeno grupo no Parque Zuccotti, nas proximidades do local onde existiam as Torres Gêmeas e de  Wall Street.

O que parecia um ato promovido por poucos cidadãos sem maiores conseqüências, paulatinamente foi ganhando a adesão de manifestantes, que aos milhares se espalharam pelo Brooklyn e Manhattan. A reação da não muito pacata policia nova-iorquina não se fez esperar: cerca de 700 manifestantes foram vitimas de agressões e prisões em massa.

Mas o “Movimento Ocupar Wall Street” não ficou limitado ao centro financeiro de Nova York. Informações da imprensa livre dão conta de que populações de outras 70 cidades dos Estados Unidos engrossaram as fileiras dos descontentes. Como se não bastasse, movimentos de solidariedade ocorrem e se esboçam do outro lado do Atlântico: Reino Unido, Alemanha, Austrália, Bósnia.

Evidentemente o “Movimento Ocupar Wall Street” não se apresenta como uma manifestação contra o sistema capitalista mundial, nem significa o fim do Império Americano, mas se particularizam como “revolta, insatisfação, frustração” diante de uma ação das grandes corporações  em que o dinheiro e a política falam mais alto do que as aspirações de uma classe média e trabalhara que teme pela insegurança e pela mudança do “american way life”.

Por outro lado e apesar disso, revela-nos a outra face da moeda: indica sim, que o modo capitalista de produção, na medida em que atingiu sua fase mais avançada com a atual etapa que convencionou-se denominar de Globalização, caminha, paulatinamente, e cada vez mais profundamente, para uma encruzilhada. Afinal de contas, a primeira crise do Capitalismo dos fins do século XIX, limitou-se a uns poucos países da Europa e Estados Unidos; a segunda crise, a de 1929, em maiores proporções, atingiu numericamente vários países, mas em diferentes níveis de profundidade; a crise atual, numa economia globalizada atinge proporções nunca antes imaginada.

Haverá uma saída para essa encruzilhada? A longo prazo, única saída possível não será a instituição de um novo tipo de sociedade em que os destinos da humanidade estejam realmente nas mãos da maioria no exercício do poder? Utopia?
  
Para os romanos da antiguidade, o reinado dos imperadores (que durou cerca de 6, 7 séculos) seria eterno, mas o cristianismo primitivo já apontava para o seu fim. Para os senhores feudais, a  Idade Média (que durou cerca de 8, 9 séculos) era a realização plena do seu domínio cujo fim ninguém cogitava, até que os renascentistas e iluministas apontaram para o futuro.

Será que a verificabilidade histórica não funcionará em relação ao Império americano e ao capitalismo?
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Créditos das fotos: www.cartamaior.com.br e occupywallist.org